José Saramago
Ontem fui assistir o filme Ensaio Sobre a Cegueira (do famoso José Saramago). Já tinha lido o livro na época de escola, mas estava um pouco receosa com o que veria no cinema. Isso porque durante a semana toda li críticas sobre o filme, onde a maioria delas era negativa!O romance aborda uma repentina cegueira branca que abate toda cidade. Inexplicável e incurável a tal cegueira branca (assim chamada pois as pessoas infectadas tem em seus olhos uma superfície leitosa), atinge primeiramente um homem no meio de um engarrafamento, e lentamente se espalha pela cidade toda. Aos poucos todos os cegos acabam reduzidos a meros seres lutando pelos seus instintos.
O Filme é perfeito (na minha ignorante opinião), a questão é porque então, tantas críticas negativas?Como disse a posts atrás, a verdade dói! E vê-la assim tão explícitamente, jogada na cara, assusta e repele nós seres imperfeitos. A história é forte, é triste e cruel. Ver uma sociedade toda desmoronar por completo, perdendo tudo aquilo que considerava civilizado e mostrando nesta condição adversa seu real caráter, sua real natureza é realmente chocante.
O ser humano não passa de um animal como todos os outros, a diferença é que entendemos que existe uma “norma de conduta” que devemos seguir para conseguir conviver em sociedade. Tirando de nós, o básico, ficamos totalmente irracionais agindo pelos instintos, as pessoas são obrigadas a confiar umas nas outras, esquecendo seu preconceito, seu sexo, sua raça, seu estilo de vida. Ali todos são iguais, todos estão reduzidos a cegueira. Não há monstros ali, apenas seres humanos conduzidos a seus extremos.
O “tapa na cara” de quem assiste vai além do físico, além das diversas violências que cada personagem sofre. Existe ali implicito a violência moral, quando todos se “vêem” cegos e em condições adversas, começam a lidar mais de perto com sua espiritualidade e com sua dignidade. Mais do que olhar, naquele momento o que realmente importa é reparar no que acontece a sua volta, reparar no que nós estamos nos transformando gradativamente, e tentar assim se humanizar novamente, empatia.
Por fim, lí um artigo do BBC onde o crítico dizia que o filme é “Deprimente”... deprimente somos nós seres humanos que só sofrendo aprendemos dar valor ao que realmente importa.

Um comentário:
Filme perfeito, Carlinha, tô contigo!
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